Sexo e Sensualidade

 

Reproduzo abaixo perguntas sobre a questão da sensualidade, que me foram enviadas por e-mail, bem como as considerações que fiz:

"Prezado Sr.:

Tive a oportunidade de ler algumas de suas palestras no seu site na Internet. Especialmente a que trata de “Sexualidade e Espiritismo” me chamou a atenção pela forma aberta e moderna como o assunto foi abordado. Sobre este tema tenho algumas dúvidas, que apresento a seguir.

Para tal, transcrevo abaixo dois trechos do Livro dos Espíritos – 76ª edição:

Comentário na pág. 27 - Ensinam-nos que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria”;

Pergunta 694. Que se deve pensar dos usos, cujo efeito consiste em obstar à reprodução, para satisfação da sensualidade?

Resposta da pergunta 694: “Isso prova a predominância do corpo sobre a alma e quanto o homem é material.”

Sobre os trechos acima, por favor responda:"

 

1)        Qual o sentido dado no texto para a palavra “sensualidade”?

Resposta: creio que o sentido de sensualidade, como colocado na obra de Kardec,  não é o mesmo de sexualidade nem de erotismo. Sensualidade, nesse caso, está colocada no sentido de "paixão" pelo sexo, do vício pelo sexo, da busca desenfreada pelo sexo.

2)        Porquê ela nos prenderia à matéria?

Resposta: todo vício prende a matéria, pois causa dependência psíquica dos "prazeres" sentidos pelo corpo. A forte energização telúrica propiciada pelos vícios, liga o ser aos padrões materiais.

3)               Na relação sexual, seja ela entre marido e mulher ou simplesmente entre homem e mulher, a sensualidade não está sempre presente?

Resposta: Não no sentido colocado  na época por Kardec. Lembre-se e contextualize a época. Muito modernamente, nos últimos 50  ou 60 anos é que o sentido de sensualidade passou a ser sinônimo de erotismo. Na verdade, no contato sexual entre homem e mulher, ocorre sempre o erotismo, cujo sinônimo atual é  de sensualidade, mas não era esse o sentido colocado em "O Livro dos Espíritos", onde “sensualidade” é colocada no sentido de "paixão desenfreada pelo sexo" ou "vício pelo sexo".

4)        Na sua palestra, a que já me referi, é colocado que o sexo não é obstáculo para a evolução. Se a sensualidade faz parte do sexo, mas nos prende à matéria, como resolver este aparente impasse?

Resposta: Creio que já respondi nas questões anteriores. A sexualidade, o erotismo e o sexo são fatores naturais, que utilizados com responsabilidade e discernimento, trazem prazer e propiciam importantes trocas energéticas. Comer é necessário, comer de forma irresponsável mata. Beber vinho com moderação pode fazer bem a circulação e ao coração, beber vinho em excesso destrói o ser. Adrenalina é bom para aumentar nossas potencialidades. Adrenalina em excesso provoca sérios distúrbios orgânicos. Não há nenhuma contradição entre sexo, erotismo e evolução. Tudo é uma questão de dose e de limites.

5)               Quanto à controle de natalidade, se um casal já teve os filhos que queria, as relações sexuais entre eles terão o único objetivo de satisfazer o desejo sexual. Neste caso, para se libertarem da matéria eles teriam que se abster de relações sexuais? Devemos entender que o sexo é somente destinado à reprodução?

Resposta: Claro que não. Temos todo o direito de controlar a reprodução e de ter prazer e trocas energéticas através do sexo. Mais uma vez, a palavra chave é responsabilidade, é equilíbrio e é amor. A união estável entre homem  e mulher necessita do sexo e do erotismo, e isso não ofende a Lei Divina ou Natural.

6) Já li o livro “Sexo e Vida” de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier, o qual é altamente esclarecedor, porém não encontrei todas as respostas que queria.

Resposta: Sexo com responsabilidade, sexo com bom senso, sexo com amor. Esse é o tripé da sexualidade. Sexo é instrumento utilizado pela reprodução, mas sua finalidade não é só a reprodução, pois se assim fosse, a mulher teria "cio" e o homem só teria o desejo despertado pelo ferormônio do cio. Sexo é muito mais que isso: é entrega, é complementação, é cumplicidade, é troca, é dar e receber mútuos. Tudo é uma questão de dose e de foco.

Lembre-se também, ao estudar Kardec, que os livros foram escritos em outra realidade temporal, cultural e social, e que para serem trazidos à época atual, é necessário uma cuidadosa contextualização. Leia a "Teoria da Beleza", em "Obras Póstumas". Veja qual vai ser sua primeira impressão. Achará que Kardec estava louco e era preconceituoso. No entanto, é apenas uma questão de contextualização. O livro foi escrito na Europa, por um europeu, a mais de 150 anos atrás. Tem que ser analisado na ótica da época, e não na ótica atual, que mudou, e muito.

E isso vale para a questão do sexo e da sexualidade.

Entre homem e mulher, que se busque o amor verdadeiro, que o amor sensual virá em decorrência. Simples e prazeroso.

Espero ter ajudado.

Fraterno abraço.

 

Carlos Parchen

www.carlosparchen.net

c_a_parchen@yahoo.com.br

 

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