QUANDO AS
IMPERFEIÇÕES AFLORAM
O cotidiano na Terra exige
dos homens um mínimo de equilíbrio para manter o convívio social. Não somente para
serem bem aceitos uns pelos outros através dos códigos de ética, como também pelo
receio natural de desconhecerem as reações alheias.
Isso faz com que os homens escondam sobremaneira suas imperfeições, bem como limitem e
abrandem seus perfis de comportamento.
Quando, entretanto, participam de atividades religiosas, embora devam continuar existindo
os mesmos códigos de conduta que regulam a vida social, é dada maior importância ao
conhecimento e desempenho da prática religiosa. Estes passam a ser, então, os principais
balizadores do comportamento individual de muitos homens, no momento que estão
trabalhando na instituição.
A medida que vão sentindo-se confiantes com o seu desempenho, sendo vistos como figuras
importantes dentro da instituição que freqüentam, alguns passam a se descuidar dos
demais códigos de ética, necessários a uma vida social equilibrada. Em outras palavras,
se conhecem bem os preceitos religiosos e os caminhos da evangelização, bem como as
práticas místicas adequadas, acabam se descuidando um pouco de outras exigências
sociais, aparentemente não tão importantes para o exercício religioso. É assim que
agem muitos, até mesmo inconscientemente.
Isso provoca então o afloramento de muitas imperfeições que estavam escondidas. E
surgem a luta pelo poder, intrigas, críticas desnecessárias, vaidades, inveja e várias
outras negatividades que se intensificam naquele ambiente religioso. Do mesmo modo que a
reação dos demais é intensificada, para fazer frente às imperfeições dos que
iniciaram o processo. E, assim, ocorre dentro da instituição, o que evitam fazer fora
dela.
O exercício da atividade religiosa, desse modo, deve ser baseado nos mesmos princípios
éticos que regem a sociabilidade da vida profana. Acrescidos da sabedoria de que o
conhecimento adquirido deve ser utilizado para o próprio desenvolvimento espiritual, bem
como para o exercício da humildade, e não para bravatas e manifestações de
superioridade.
Pois essas são as exigências mínimas para que uma instituição religiosa faça jus a
seu nome. E não se torne um teatro, onde as vaidades lhe tirem a característica de lugar
sagrado.