titleartigos.gif (3843 bytes)

 

10 Perguntas e Respostas Polêmicas

Apresento a seguir 10 perguntas que recebi através do site, bem como as respostas que enviei às pessoas por e-mail.

São perguntas e respostas polêmicas, e meu objetivo é apenas o de contribuir para o debate e para que cada pessoa construa sua síntese sobre esses assuntos.

Todos os dados que pudessem identificar a pessoa que pergunta, bem como local e instituição a que pertence foram removidos, de modo a preservar o sigilo e a ética do relacionamento baseado na confiança.

Lembro que as respostas são opiniões pessoais, que não pretendem estabelecer verdades ou se constituir na opinião definitiva.

Pergunta 1

Bom dia!
Por acaso você tem alguma coisa que fale da Páscoa e o significado Espírita -->RENOVAÇÃO
Não precisa ser extenso.
Obrigada.

Resposta:

Na verdade, a Páscoa não tem nenhum significado dentro da Doutrina Espírita, nem mesmo simbólico, pois é uma data puramente convencional.

Afinal, peremptoriamente, Jesus não nasceu em dezembro, não morreu necessariamente numa sexta-feira e efetivamente não ressuscitou no domingo (3° dia). Aliás, nem mesmo ressuscitou em qualquer dia.

A Páscoa, sem sombra de dúvida, era uma festa pagã, apropriada pelo Judaísmo em seus rituais, frente a fatos históricos significativos para aquele povo.

O Espiritismo jamais se apropriou dessa data, e se alguns espíritas o fazem, é ainda pelo (desculpe a expressão) "ranço" do Catolicismo, de onde muitos Espíritas vêm. Quando coloco isso, não quero denegrir o Catolicismo, muito pelo contrário, só estou colocando que muitos Espíritas ainda não abandonaram a "Sacristia", ou seja, não se desligaram de outras religiões para viver a Filosofia Espírita no seu tríplice aspecto.

Se o Espiritismo, hipoteticamente, tivesse que escolher uma data para significar "renovação", por certo seria o Natal (mesmo que seja uma data simbólica e meramente convencional, nem próxima da realidade), pois aí sim significaria o "renascimento", a "renovação" do ensino do Cristo, da Lei do Amor, e não a Páscoa, pois o sentido de "renovação" aí (na Páscoa) estaria associado a "ressurreição do Cristo", que não ocorreu e que o Espiritismo não aceita. Para o Espiritismo, o Cristo morto pouco significa. Sua real importância é a do "Cristo Vivo", o Cristo do Evangelho de Verdade e de Vida. E o que mais se aproxima disso é o "Cristo do Natal", não o "Cristo da Páscoa".

Espero que não fique ofendida com minhas colocações, que sei serem duras, mas o que coloco está perfeitamente de acordo com os postulados Espíritas, com o pensamento trazido por Kardec, e não devemos fugir ou fazer concessões para dele se afastar.

Tenho profundo respeito pelo Catolicismo e todas as demais religiões, pois já fui Católico e estudo (procuro conhecer) as demais religiões. Mas que cada um fique com suas crenças. Nós Espíritas, não precisamos delas compartilhar. Apenas compreender e respeitar.

Não precisa concordar comigo, pois não sou e nem pretendo ser o "dono da verdade". Utilize meus argumentos para fazer a antítese de sua tese, e faça sua síntese. Por certo, você estará muito mais perto da "verdade".

Um fraterno abraço


Pergunta 2

Com relação ao sofrimento do suicida, como ficam os "homens-bomba" que se matam por causa de um aprendizado e de uma crença religiosa?
Como ficam em relação ao seu perispírito, uma vez que sabe que vai destruir o corpo? Ao adentrar ao mundo espiritual e se sentir vivo não seria o paraíso ensinado a eles, uma vez que matou vários "inimigos" e continua vivo?

Resposta:

Independentemente da crença, tirar a própria vida é um ato contrário a Lei Divina.

Mesmo a Religião professada por essas pessoas não recomenda o suicídio e até se posiciona contra ele. Essa crença da morte honrosa na destruição dos "inimigos", que leva ao paraíso, é uma interpretação de grupos radicais (fundamentalistas), para manipular a boa fé dessas pessoas.

O homem-bomba, ao dilacerar seu corpo, deixará marcas gravíssimas em seu perispírito, que lhe causarão, no plano espiritual, profunda dor e desequilíbrio.

Jamais ele se acharia (ou pensaria) estar no paraíso, pela dor e pelo sofrimento a que estará submetido. Pelo contrário, se "acharia" no inferno e ficaria profundamente revoltado e decepcionado, por lhe terem prometido uma coisa e ter recebido outra.

Terá a lhe agravar a dor e o sofrimento, a reação da Lei de Causa e Efeito derivada da morte de todas as vítimas do atentado. Essas conseqüências, por certo serão ainda piores que a do próprio suicídio, refletindo-se, junto com as do suicídio, por próximas encarnações.

Espero ter ajudado.

Fraterno abraço.

Pergunta 3:

A mãe de uma criança contraiu AIDS durante o tempo de gestação e o filho, em decorrência, contraí a mesma doença e isto não estava no seu programa reencarnatório. Como explicar isso para um grupo de Estudo Espírita, tendo em vista a Lei de Causa e Efeito e que a criança virá a sofrer por um ato impensado de sua mãe?


Resposta:

Devemos inicialmente considerar que o livre arbítrio é inviolável, e ao exercê-lo, podemos sim, peremptoriamente, causar sofrimento e dor a outras pessoas, mesmo que estas não "mereçam" essa dor. Por isso seremos responsabilizados, proporcionalmente a dor e ao sofrimento que causarmos.

Se todo sofrimento e dor que causarmos a outra pessoa estivesse "programados", não haveria responsabilidade nossa, seria decorrente de um determinismo, que anularia o livre arbítrio.

No caso específico, admitindo, para efeito de análise, que se a mãe contraiu AIDS por (ir)responsabilidade única e exclusiva sua, durante a gravidez e passou-a ao filho, por isso assumiria a total responsabilidade, pois causou dor e sofrimento e provavelmente encurtou a vida de quem, necessariamente, não precisava passar por isso. Digo necessariamente, pois se aquela criança tivesse nascido com a "programação reencarnatória" de ter AIDS, a mãe também teria nascido com a "missão" de ter AIDS. Existiria assim responsabilidade e livre arbítrio? Claro que não.

Isso foi injusto para o filho? Claro que sim, e a mãe responderá por ter perpetrado essa injustiça. Poderia o plano espiritual ter evitado isso? Claro que não, pois em caso contrário não existiria o livre arbítrio e a responsabilidade individual.

Se tudo no mundo estivesse "programado", se todos que sofrem injustiça "merecessem" ser injustiçados, se todos os que são assassinados "merecessem" ser assassinados, se existisse um "karma" ou "programação reencarnatória" determinando isso, inexistiria o livre arbítrio, seria tudo determinístico, tudo se processaria pela "vontade divina", que imporia a dor, o sofrimento, etc. É nesse "deus" que acreditamos? No "deus" do "olho por olho"? Não, nós acreditamos no Deus de Amor, Naquele que quer nossa evolução, que nos criou para "aprendermos a sermos felizes", Aquele que nos deu o "poder" de sermos "co-criadores", de "sermos deuses", como tão bem lembrou o Mestre Jesus.

Também é importante refletir que a "programação reencarnatória" não é determinística, ou seja, não estabelece a trajetória e todos os fatos da vida de uma pessoa, ou seja, não "está escrito" tudo o que temos de passar. Essa "programação" é muito mais probabilística, indica tendências, tudo sob a possibilidade de modificação derivada de nosso livre arbítrio e da influência do uso do livre arbítrio por outras pessoas, pois vivemos em sociedade, numa vida de efetiva relação e interações "não programadas".

Devemos ainda nos lembrar que a "Lei de Causa e Efeito" é reativa para quem é a causa, para quem promove a ação. O efeito específico retorna individualmente a quem desencadeou a ação. No exemplo em questão, a mãe desencadeou a ação, contraindo AIDS, e receberá de volta o efeito disso. O seu filho foi atingido por essa ação, sendo o "espelho", o "ponto fixo" para o efeito que retornará a mãe, nesta e em outra(s) vida(s). Nesse caso a doença do filho não está vinculada a uma "causa e efeito" dele. Para ele essa "Lei" não está aplicada, pois não foi o agente da ação. Foi passivamente injustiçado pelo ato errôneo de sua mãe.

Para maiores subsídios sobre a questão do livre arbítrio, sugiro a leitura de dois artigos meus, "Ninguém morre antes da hora?" e "Ninguém morre antes da Hora? - parte II", que estão disponíveis no site.

Quero lhe alertar, para que não se espante se o grupo de estudo não entender prontamente isso. Infelizmente, grande parte dos Espíritas não cumprem o que Kardec preceituou: "Espíritas, amai-vos e instrui-vos". Quão poucos de nós amam verdadeiramente. Pouquíssimos se instruem no verdadeiro estudo da Doutrina, preferindo o fundamentalismo impensado, o comodismo de "pensar" (e querer) que tudo na vida está "programado" e decidido pela "programação reencarnatória", que tudo é responsabilidade do nosso "passado ignoto", das influências dos "espíritos inferiores", esquecendo que somos nós, e apenas nós mesmos que determinamos o nosso destino e construímos a nossa realidade imediata e futura, afetando a natureza e as pessoas ao nosso redor.

Infelizmente, muitos espíritas pretendem se "instruir" e "conhecer" Espiritismo apenas lendo "Romances Espíritas" e não estudam o conjunto da obra de Kardec. Lêem o Livro dos Espíritos, mas não ESTUDAM o Livro dos Espíritos, e pior, não complementam os estudos aprofundando-se nas demais obras básicas, na Revista Espírita, e nas obras de outros autores aceitos e consagrados. Não utilizam a lógica e a razão, não aprendem, apenas aceitam, apenas informam-se e não transformam sua informação em conhecimento e seu conhecimento em habilidades e aptidões.

Desculpe o desabafo. Entendo a sua preocupação e louvo sua busca de argumentos. Quisera que metade dos Espíritas fossem assim. Poderíamos estar cumprindo nossa missão de transformar o mundo.

Espero ter ajudado, se não solucionando sua dúvida, pelo menos fornecendo novos pontos de vista, propiciando argumentos para o debate e a reflexão. Não tive, não tenho e não terei a pretensão ou a ambição de ser o "dono da verdade". Faltam-me inúmeras qualidades e ainda muitas e muitas vidas sucessivas para perto disso chegar. Mas tenho a convicção de que o que coloco está dentro dos postulados trazidos por Kardec, que passa pela prova da lógica e da razão. Com sinceridade, eu acredito nisso.

Um fraterno abraço.

Pergunta 4

Se uma pessoa estivesse em um edifício e neste ocorresse um grande incêndio, sendo que as chamas chegaram a um ponto em que o corpo dessa pessoa já começa a ser consumido, e em seu pensamento já se extinguiram as possibilidades de alguém salva-lo.

Este indivíduo sentindo as chamas consumi-lo, poderia saltar do prédio, cometendo assim suicídio, mesmo que seja em desespero (digamos que ele tenha um conhecimento espirita), ou deveria ficar onde está, mesmo sabendo que ele desencarnaria dolorosamente por causa das chamas? O que aconteceria se ele, em desespero, efetivamente pulasse?

Resposta:

É uma questão difícil de se analisar.

Temos que partir do pressuposto que tirar a própria vida é um erro grave.

Também é verdade que a "culpa" é proporcional aos fatores do momento (conhecimento, equilíbrio, condições emocionais, pressão, etc.).

É verdade ainda que a vontade Divina pode se manifestar de diversas formas, até o último instante, mudando destinos inclusive.

Em tese, a pessoa não deveria cometer o suicídio, mesmo nessa dura situação. Responderá pelo seu ato, se o fizer.

Na prática, como dificilmente conseguiria racionalizar seus sentimentos e emoções, em cometendo tal ato, será "responsabilizado" proporcionalmente a lucidez que lhe tenha "sobrado" em tal desesperadora situação.

Tudo isso em tese. A única certeza é que a responsabilidade sempre é justa e proporcional, nunca é absolutista.

Espero ter ajudado.

Fraterno abraço.

 

Pergunta 5:

Assisti uma palestra sua, em slides, a respeito do tema determinismo e livre arbítrio.

Com o devido respeito, não posso concordar com o prezado Engenheiro, pois se sua proposição fosse verdadeira, Allan Kardec, Emmanuel e o próprio Criador estariam errados.

Eu não estou divagando, mas me baseando naquilo que está escrito pelos próprios que citei.

Isso são os trechos bem determinados, mas soltos. Na obra de Pietro Ubaldi e de Carlos Torres Pastorino está bem claro e com abundância.

Resposta:

Que bom que o prezado irmão discorda de minha posição, pois isso é característica do Espiritismo. Tomo a liberdade de reproduzir um trecho de um autor, que agora não consigo lembrar o nome, mas isso pouco importa: "...No espiritismo cada um diz o que quer, pois não há patentes, mas apenas referências; assume assim, a interpretação do Evangelho na concepção mais livre e respeitosa que todas as acepções, propiciando um estado de comodidade que desfigura temores, onde o mal é matéria do bem, que trabalha, elabora, cuida e transforma o que antes era inútil em aliado..."

De qualquer maneira, sem pretender debater, até porque por e-mail isso não é possível, o que o irmão me coloca está em outro contexto, que não o que coloquei na minha palestra.

Claro que o livre-arbítrio gera um determinismo: o da Lei de Causa e Efeito. No entanto esse "determinismo" pode ser alterado, o que prova que não era, efetivamente, determinístico.

A Lei Divina é determinística enquanto existência, pois nada escapa dela, mas como "transitamos" na Lei, nada se torna determinístico, tanto que podemos "desobedecer" a Lei.

Quanto ao que você coloca de Emmanuel, a interpretação é muito clara, pois a necessidade do amor é determinística, mas a busca do amor não. Tanto é verdade que você mesmo cita: "...mas os próprios homens, na esfera relativa de suas liberdades, modificaram esse determinismo superior, no curso incessante da civilização..."

Ora, se foi modificado, não era determinístico.

Dá para perceber, que tudo é uma questão de contexto e de interpretação, de como se aborda "determinismo".

Também estou convencido que a vida de relação, com o semelhante, com a natureza e até mesmo com o Criador não é, peremptoriamente, determinística. E acho a comprovação disso em Kardec, e nas obras espíritas aceitas (Emmanuel, André Luiz e alguns outros).

Como nossa abordagem é diferente, provavelmente nunca chegaríamos a um consenso, pois, na análise filosófica e científica do espiritismo, não se pode aceitar que a vida de relação possa ser determinística, pois nesse caso não existiria o livre-arbítrio.

Não sou, e não aspiro ser "dono da verdade". Cabe a cada um construir a "sua verdade", e procurar aperfeiçoá-la. Isso é Espiritismo.

Quanto a Pietro Ubaldi e Carlos Torres Pastorino, peço desculpas ao irmão, mas não são autores aceitos como basilares (nem mesmo como complementares) pelo Espiritismo. Reconheço neles brilhantes qualidades intelectuais, como autores. Também os leio, e filtro o que me serve (que é bastante), mas não os reconheço como aptos a acrescer "verdades" ao Espiritismo.

Não gostaria e não pretendo debater mais o assunto, até porque entendo, respeito e aceito sua opinião, mesmo que não a compartilhe, assim como lhe reconheço o pleno direito (e até dever) de analisar e discordar, e isso não me ofende, muito pelo contrário.

Peço perdão, se de alguma forma, com minhas colocações, possa te-lo magoado ou ofendido. Não foi essa minha intenção, muito pelo contrário, o profundo respeito é que me motivou a responde-lo.

Um fraterno abraço.

 

Pergunta 6

Estou com uma grande dúvida: O que é Orbe Terrestre?

A explicação que me foi dada é que "orbe terrestre, que é o planeta físico mais o plano espiritual do Planeta Terra. " Esta afirmação está correta? No caso, quando falamos que a Colônia Espiritual Nosso Lar encontra-se no orbe terrestre, quer dizer que Nosso Lar está no plano espiritual do Planeta Terra? Pergunto isto porque estou preparando um tema para apresentar para as crianças da evangelização infantil e gostaria de me certificar antes de passar esta informação às crianças.

 

Resposta:

Na realidade, o termo "orbe" era mais usado no português arcaico, derivado do termo equivalente no Latim, e foi inadequadamente utilizado na Doutrina Espírita como sinônimo de "redondeza" do globo terrestre.

Um determinado agrupamento de espíritos é formado pela afinidade vibratória (estágio de evolução + sentimentos comuns).

Assim sendo, um mundo de encarnados tem perto de si (redondezas, orbe) o grupamento espiritual que lhe é correspondente, em termos de evolução e de afinidade. O significado de "perto", "redondeza" é muito relativo, pois vibrações diferentes podem se sobrepor, e por estarem em vibrações ou dimensões diferentes, não ocupam o mesmo espaço.

Acho que o exemplo da Colônia "Nosso Lar" não deve ser usado para crianças, por se tratar de algo que, para ser interpretado corretamente, necessita de grande conhecimento doutrinário.

Poderia ser colocado que existem "postos de socorro", "hospitais" e instituições de auxílio no Plano Espiritual "próximo" a Terra, encarregados de auxiliar os espíritos desencarnados que "afinizam" com nossa realidade planetária.

Espero ter ajudado.

Um fraterno abraço.

 

Pergunta 7

Tenho duvidas sobre alguns pontos da doutrina, e gostaria muito de uma opinião sua sobre os mesmos:

- o que podemos entender quando dizemos que o processo reencarnatório é um processo de análise?

- A ligação do espirito tem seu início na fecundação, porém quando este processo se completa? No nascimento ou aos sete anos de idade?

Resposta:

Quanto a seus questionamentos, tentarei respondê-los:

a) a primeira afirmativa ("...o que podemos entender quando dizemos que o processo reencarnatório é um processo de análise?..."), posso lhe dizer que nunca ouvi a reencarnação colocada dessa maneira (de que obra a retirou?). Tentando analisar o sentido da frase, também não posso concordar, pelo menos nesse contexto. A reencarnação nada tem a ver com análise, mas sim com síntese, resultante dialética de tese e antítese. A reencarnação é resultante, sobre a qual agirão novas forças, que devem dar novo rumo à resultante derivada. Resulta numa nova síntese, produto da dialética entre o passado e o presente, da tendência e da inteligência, do errado e do certo. Não me parece que isso seja análise, mas sim dialética.

b) quanto a segunda colocação ("...A ligação do espirito tem seu início na fecundação, porém quando este processo se completa? No nascimento ou aos sete anos de idade?..."), por ser mais objetiva, é mais fácil se posicionar. Em verdade, a ligação do espírito com a célula-ovo (óvulo fecundado) inicia quando os espíritos encarregados de assistir ao processo reencarnatório têm certeza de que o óvulo fecundado vai nidar (fixar-se ao útero materno). Na verdade, a concepção propriamente dita tem início com a nidação do óvulo fecundado. A medida que o feto se desenvolve, o perispírito vai se ligando mais fortemente ao corpo, "molécula a molécula", como nos dizem os espíritos. Como o perispírito preside a formação do corpo físico, utilizando-se para tal do potencial genético, a medida que o corpo se desenvolve, mais se consolida a ligação do espírito com o corpo. Teoricamente, a criança nasce quando todo o seu organismo está "maduro" para suportar a vida fora do corpo, e nesse estágio, o espírito já está completamente ligado ao corpo. Portanto, quando nasce a criança, o espírito já terminou de se ligar ao corpo. O que acontece daí em diante é que a ligação vai se tornando mais forte. Podemos comparar com a "cura" (secagem) do concreto. Quando fazemos uma peça de concreto (uma coluna, por exemplo), depois de 5 a 7 dias posso retirar a forma, pois o concreto já vai estar "duro" (todos os seus componentes já vão estar ligados e unidos), mas ele só atingirá sua resistência projetada depois de 35 a 40 dias, quando se consolida definitivamente. Essa questão de "7 anos" é um pouco "fantasiosa", meramente especulativa. O corpo de uma criança atingirá um ponto de desenvolvimento ótimo em torno dos 3 ou 4 anos de idade, quando a ligação com o espírito atingirá a máxima força (concreto curado), mas já estava completa desde o momento do nascimento (concreto desenformado).

Espero ter ajudado.

Escreva se tiver mais dúvidas.

Um fraterno abraço.

 

Pergunta 8:


Prezado irmão, nos estudos deste final de semana me surgiu uma dúvida que está me incomodando, e gostaria que se possível você pudesse me ajudar a elucida-la. O tema do estudo foi "O espirito é matéria?". Você pode me ajudar com alguma análise?

Resposta:

Essa sua dúvida é muito atual e difícil de solucionar.

Kardec nos diz que o universo é constituído de três princípios:

- Deus, a causa primeira, Lei e Legislador do Universo;

- o princípio material - da origem a matéria e a energia em todos os planos;

- o princípio inteligente: tudo aquilo que não é Deus e não é princípio material.

Deduz-se dessa afirmação, que o princípio inteligente não é matéria.

Fica então a pergunta: princípio inteligente e espírito são sinônimos?

Vejamos o que diz Kardec: "...o espírito é individualizado do princípio inteligente evoluído...".

Analogamente falando, ao se individualizar (separar, destacar) alguma coisa de um todo, eu preciso conter (limitar) essa "coisa individualizada" num meio (vaso, embalagem) que a separe do todo e lhe de forma e limite, pois em caso contrário não estará individualizada.

Esse "vaso ou embalagem", fatalmente, deverá ser constituído de algo compatível com o meio, ou seja, que obedeça as "leis" desse meio.

Ainda por analogia, ao individualizar o princípio inteligente, esse precisará ser "contido", "limitado" em "algo" que tenha existência real no campo em que se manifesta, ou seja, na matéria, no princípio material.

Analisando os ensinos trazidos por André Luiz, poderíamos inferir que o princípio inteligente individualizado constituiria a "MENTE", e que esta estaria delimitada pelo "CORPO MENTAL".

Se aceitarmos que o conjunto MENTE e CORPO MENTAL constitui o núcleo do que chamamos espírito, e que o CORPO MENTAL estrutura o PERISPÍRITO, e aceitando ainda que o CORPO MENTAL é a parte imperecível do Perispírito, poderíamos concluir que, efetivamente, o ESPÍRITO também é constituído de matéria, contendo um núcleo, dentro de si, que é imaterial, a MENTE. Nem precisamos abordar o PERISPÍRITO, pois esse, efetivamente, é material, e sempre acompanha o ESPÍRITO, que é constituído de CORPO MENTAL e MENTE.

Apanhe em meu site a Palestra Perispírito, Duplo Etérico e Corpo Mental.

Espero ter ajudado.

Um fraterno abraço.

 

Pergunta 9

Tendo em vista a reação em nosso grupo de estudos sobre a questão do livre arbítrio nos processos reencarnatórios, chego até você, nesta oportunidade para lhe endereçar algumas perguntas interligadas:

A - Se uma mulher sofre um estupro isso poderia estar em "seu destino" ou é uma violência dos tempos difíceis da humanidade atual?

Resposta: Sem sombra de dúvida, conforme está nas obras de Kardec, não é seu destino, nem está escrito, nem mesmo faz parte de possíveis "provações" reencarnatórias, pois se isso fosse verdade, seríamos meros robôs, automatos, nas mãos do destino. Nada está escrito ou pré-determinado em nossas provas e expiações. Talvez uma pessoa tenha dentro de si uma energia derivada da Lei de Causa e Efeito que "atraia" para ela energias do mesmo tipo. Mas também é verdade que uma mulher que nada "devesse" em termos energéticos pode vir a ser violentada, e isso ocorre diariamente, como conseqüência única e exclusiva da violência de terceiros. A responsabilidade, nesse caso, é única e exclusiva do estuprador, que atingiu (e atingem) inocentes que nada "deviam". Isso é conseqüência do uso do livre arbítrio.

B - Nascer a criança é uma questão de livre arbítrio?

Resposta: Sem sombra de dúvida. Em nosso planeta, grande parte das reencarnações não são "programadas". O livre arbítrio vale para o espírito "reencarnante" e também para os pais, e não pode ser violado. Uma boa parte das reencarnações não estava nos planos dos pais, mas a possibilidade de gravidez é aproveitada  para poder proporcionar reencarnação aos espíritos que assim necessitam. Também é verdade que numa boa parte das reencarnações, pais e filhos não tinha vínculo espiritual anterior, e que são unidos pela encarnação, como oportunidade de aprendizado mútuo e de evolução. Pode-se afirmar, categoricamente, que não é obrigatório a "programação" das reencarnações, ou seja, os filhos são frutos do uso do livre arbítrio. Muitas vezes essas oportunidades são utilizadas para reunir antigos desafetos ou grande amores.

C - Já estava determinado o espírito que reencarnaria na condição da violência sexual? Ou é "ajustado" um espírito em necessidade reencarnatória? Ou é uma natural "ligação magnética" de algum espírito no aguardo de uma oportunidade reencarnatória?"

Resposta: Nunca um espírito está já vinculado a qualquer tipo de violência obrigatória. O que acontece, é que cada espírito reencarna nas condições sociais, econômicas, culturais e ambientais compatíveis com o seu registro energético, derivado da Lei de Causa e Efeito, ou seja, com a afinidade energética e vibratória que trás dentro de si. Suas energias continuaram a atrair para si o mesmo tipo de energia. Se forem violentas, trarão de encontro a si a violência, mas se mudar, se crescer espiritualmente e se afastar dessas energias, seu campo vibratório mudara, e também o tipo de energias que irão de encontro a ele. Não é o fato da pessoa nascer em um ambiente violento que a tornará violenta ou atrairá a violência para si, mas sim o seu padrão vibratório, que é mutável, dependendo única e exclusivamente do indivíduo, desde o começo de sua encarnação.

D - A jovem que engravida na adolescência, já tem programado em sua vida o espírito que irá renascer?

Resposta: na maioria dos casos, não estava nos planos, nem da pessoa, muito menos no da espiritualidade. São "acidentes" que acontecem, pois se numa relação sexual, seja ela qual for, for existir a fecundação de um óvulo e o útero se apresente em condições de alojá-lo, os espíritos encarregados das reencarnações aproveitarão essa oportunidade. Temos que lembrar que irão transcorrer de 7 a 72 horas entre a relação sexual e a fecundação, o que possibilitará aos mentores espirituais "providenciar" o espírito que irá reencarnar, que muitas vezes, nenhuma relação pretérita tinha com aquela adolescente que você cita. Se todas as reencarnações estão programadas, e os espíritos estão esperando por elas, é lógico concluir que todas as relações sexuais estavam programadas. E isso não é possível, seria um absurdo, o fim do livre arbítrio.

E - Deus pode determinar "a troca" de um determinado espírito que reencarnaria nestas condições (gravidez da adolescente ou do estupro) por um outro com melhores condições de aceitação e entendimento desta forma de reencarnar?

Resposta: Não entendi sua pergunta. Nunca é necessário "trocar" um espírito numa reencarnação, pois ela será naturalmente destinado a um espírito que melhor possa aproveitar essa oportunidade e que melhor oportunidade possam proporcionar aos pais. Sempre que for ocorrer a fecundação de um óvulo e que os espíritos saibam, pela análise local que ele vai nidar (vingar), os espíritos encarregados da reencarnação farão toda uma análise da situação genética, social, cultural, econômica, ambiental, etc., e trarão ao processo reencarnatório um espírito que já esteja preparado para tal, e que seja o mais adequado ao conjunto daquele caso específico. Pode ser um amigo, um inimigo, um desconhecido, mas sempre o espírito que melhor "proveito" para seus resgates, expiações, provas e missões possa tirar dessa oportunidade.

Comentário Geral: Caro amigo: Não se espante com o tipo de reação ocorrida em seu grupo de estudo. Grande parte dos espíritas são místicos com relação a reencarnação e a programação das provas e expiações, não são lógicos, não são racionais e não estudam Kardec a fundo. O livre arbítrio é inviolável, e nada, absolutamente nada, com exceção da necessidade da evolução, está programado ou pré-destinado. Leia o livro "Desmistificando o Dogma da Reencarnação", do Prof. Wladimyr Sanchez. Não abra mão de suas convicções pela pressão de irmãos que ainda não estão preparados para o Espiritismo como Kardec o queria. Tudo tem seu tempo, o dessas pessoas também ocorrerá, talvez, infelizmente, em outra encarnação. Devemos usar o que nos ensinou Kardec: usar a lógica, a razão, o bom senso. Com estudo e com Amor.

Um fraterno abraço.

 

Pergunta 10

Ouvi em uma mesma Sociedade Espírita duas palestras, com dois oradores diferentes, duas afirmações sobre o mesmo assunto, mas que diferem nas respostas: - um disse que se eu me caso com alguém e me separo ( por culpa do outro) em outra encarnação tenho que voltar para dar continuidade ao que tinha sido programado. O outro expositor disse que não é justo alguém que tentou de todas as maneiras fazer com que o casamento desse certo, ter que voltar em outra encarnação com alguém que se negou a ficar junto nessa.

Pergunto: Será que é justo eu ter que voltar com alguém que não me respeitou, mesmo eu tendo feito o possível para continuar? Se o casamento não teve continuidade por culpa do outro, porque eu tenho que voltar para dar continuidade a algo que eu não causei?

Resposta:

Em realidade, as provações que cada um precisa passar é decorrente única e exclusivamente de suas responsabilidades na infração das leis Divinas ou naturais.

Trabalhando em hipótese, se existe uma separação no casamento, e isso se deve única e exclusivamente a um dos cônjuges, a responsabilidade será deste, e caberá a este e apenas a este sofrer as conseqüências.

Nada é programado em nossa vida, e ninguém precisará, obrigatoriamente, retomar antigos compromissos, a não ser que esteja ligado a esse, por problemas pretéritos (Lei de Causa e Efeito). No entanto, é bom lembrar que muitas vezes nos julgamos "isentos de culpa" e isso não é verdade.

Ainda trabalhando em hipótese, se duas pessoas precisaram se unir em casamento para resolver problemas pretéritos, e uma foi a causadora de separação, apesar da outra tentar evitar isso de todas as maneiras, mas as duas não aprenderam efetivamente a amar uma a outra, o compromisso entre ambos continua a existir.

Tolerar e aceitar não é sinônimo de amar. Tentar evitar a separação não é necessariamente ter amor. Não ser o causador da separação não elimina problemas que as pessoas envolvidas tinham entre si e que precisavam ser resolvidos, e não o foram. Não sabemos quais são os compromissos passados que temos com outras pessoas e o que efetivamente temos que aprender na relação com estas.

Por isso, as questões que você coloca não são possíveis de uma conclusão diagnóstica e absoluta, por que não há como julgar e determinar "culpa", exatamente por não se conhecer o passado de ambos os envolvidos.

Além disso, numa separação dificilmente temos apenas um culpado (exceto nos casos de infidelidade conjugal unilateral). Normalmente os dois têm parcelas, mesmo que de tamanhos diferentes, de responsabilidade, até anteriores ao casamento, no namoro, no noivado, etc.

De qualquer maneira, sempre será feito justiça, ou seja, cada um sofrerá a conseqüência de seus próprios atos, nem mais, nem menos.

Espero ter ajudado.

Um fraterno abraço.

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

Curitiba, 09 de abril de 2006

Carlos Augusto P. Parchen

www.carlosparchen.net / c_a_parchen@ yahoo.com.br

Voltar