
O Livro dos Espíritos
A Editora Dentu, Palais-Royal Paris - publicou em 18
de abril de 1857, de Allan Kardec, O Livro dos Espíritos.
O Courier de Paris,
de 11 de junho de 1857 (Revista Espírita janeiro de 1858), trouxe um artigo
assinado por G. Du Chalard que procurou informar os leitores sobre o valor e o significado
da obra.
"Notável, curiosa" são os dois adjetivos empregados por Chalard para
defini-la. Não arriscou mais, afirma, por julgar qualquer classificação banal, diante
da importância do conteúdo apresentado.
Considerando-a como
"uma página nova no grande livro do infinito", escreve não conhecer o autor
mas, proclama bem alto, gostaria de conhecê-lo porque quem escreveu a introdução
(Kardec) "deve ter uma alma aberta a todos os sentimentos nobres".
Descreve o local
onde leu o livro: "há vinte léguas de Paris, ao cair da tarde quando em nossa volta
tínhamos apenas algumas cabanas esparsas, pensamos naturalmente em coisas muito diversas
da bolsa de valores, do macadame dos bulevares ou das corridas de Longchamps".
Posiciona-se como
alguém que muitas vezes se interrogava "a respeito do que se passava nas regiões
que se convencionou chamar de o Alto". Chegou a esboçar "uma teoria sobre os
mundos invisíveis", porém guardou-a só para si. Sentia-se feliz agora por
encontrá-la "quase que por inteiro no livro do Sr. Allan Kardec".
Exortam então, a
todos os deserdados da Terra, "a todos quantos regam com suas lágrimas o pó da
estrada" a ler O Livro dos Espíritos, pois ele os tornaria mais fortes !
Convida, também, "aos felizes, aos que pelo caminho só encontram as aclamações e
os sorrisos da fortuna" a estudá-lo, e ele os tornaria melhores.
A obra é dos
Espíritos que a ditaram, como o próprio Kardec afirmou. Chalard, entretanto, comenta que
se as respostas dos Espíritos são por vezes sublimes, é necessário atribuir um grande
mérito a Kardec, que soube provocá-las pelas suas perguntas.
Desafia aos mais
incrédulos a rirem "quando lerem esse livro no silêncio e na solidão" e
conclui: "todos honrarão aquele que escreveu o prefácio".
Analisando de forma
admirável a obra do Codificador, resume a doutrina na expressão "não façais aos
outros o que não quereis que vos façam" e convida ao homem de estudo, que tem a fé
apenas necessitada de instruir-se, a ler o Primeiro Livro; à criatura que só se preocupa
consigo mesma e nada enxerga além dos próprios interesses, a ler as Leis Morais e
àquele que a desgraça persegue e a dúvida tortura, a ler o terceiro livro, Esperanças
e Consolações.
Note-se que Chalard está se referindo à primeira edição de O Livro dos Espíritos. A segunda edição, publicada em março de 1860, refundida e ampliada é a que conhecemos através da tradução de diferentes autores. Nela, Esperanças e Consolações é o quarto livro.
A CODIFICAÇÃO E O LIVRO DOS ESPÍRITOS
Autora:
Nair de Moraes
Presidente da Seara Bendita Instituição Espírita - São Paulo, SP.
www.searabendita.org.br