
Uma Pergunta sobre Controle da Natalidade. E a Resposta, é Claro !
Num contato anterior,
você afirmou "temos todo o direito de controlar a reprodução"; por
outro lado tenho lido algumas afirmações que tal prática atrasaria a evolução de espíritos
que teriam que aguardar mais tempo para novas reencarnações.
Procurei nas obras
básicas alguma referência, porém não encontrei nada além do já citado no
e-mail prévio. Para mim é bastante claro que a maternidade (ou paternidade) deve ser um
ato de amor repleto de respeito e carinho pelo ser que será concebido, e portanto
não pode ser uma imposição ou obrigação, mas espontâneo e deliberado pelo próprio
casal; entretanto gostaria de pedir-lhe mais detalhes de como esta questão é
trabalhada no plano espiritual e qual o ponto de vista da doutrina a respeito.
RESPOSTA:
Na doutrina espírita,
a base sempre é Kardec, e todos os demais autores devem ser analisados se de fato estão
embasados
Também, infelizmente,
existe uma forte "corrente religiosa" dentro do Espiritismo, e que tenta trazer
para uma Doutrina Filosófica (que é o Espiritismo) alguns conceitos derivados da
"Religião Mater" do Cristianismo, estabelecendo "conceitos
religiosos" ou "dogmáticos".
Veja que não sou
contra o aspecto religioso do Espiritismo, mas este necessita estar harmonicamente
equilibrado com a Filosofia e com a Ciência Espírita. Afinal, o Espiritismo não é uma
Religião, é "...uma Doutrina Filosófica
de Base Científica e Conseqüências Éticas e Morais...", como tão bem
estabeleceu Allan Kardec.
O Espiritismo tem sim
um aspecto de religiosidade, religioso se quiserem, baseado no Amor a Deus, no Amor ao
Próximo e na Moral pregada e vivida pelo Mestre Jesus.
Faço esse intróito
para dizer que a questão do controle da natalidade é um dos aspectos que
"incomoda" a "vertente religiosa" do Espiritismo, que procura
argumentos para tentar "vender" que o Espírita não deve controlar a
natalidade, que se deve "...dar oportunidade de reencarnação a todos os
espíritos...".
Meia verdade, o que
muitas vezes é mais prejudicial que a mentira.
Basta estudar (falei
estudar, não apenas ler) Kardec, o que ele traz das Leis de Conservação, Reprodução e
Destruição.
Está evidente que o
Homem tem todo o direito de controlar a reprodução, de todos os seres vivos, incluso a
do próprio Homem, desde que o faça com objetivos elevados, éticos e não egoístas.
O Espiritismo, como
Doutrina Filosófica, aceita o controle responsável da Natalidade (exceto métodos
abortivos), e nos alerta que a família é a melhor escola de evolução, que o homem e a
mulher foram feitos para se unir e completar, propiciando a chance de educação de outros
espíritos, os filhos.
Assim sendo, cabe a
cada casal pesar, sopesar e decidir sobre o que se dispõe a fazer a esse respeito,
o quanto da tarefa de educar outros espíritos (filhos) está disposto a enfrentar.
Essa é uma decisão
como todas as outras de nossa vida:
- o quanto estamos
dispostos a fazer o bem?;
- o quanto estamos
dispostos a fazer de caridade material?;
- o quanto estamos
dispostos a nos melhorar como pessoas?;
- o quanto estamos
dispostos a perdoar e tolerar?;
- o quanto estamos
dispostos a fazer de trabalho voluntário?.
Percebeu a hipocrisia?
O que é mais "religioso"? Decidir, efetivamente fazer o bem ou ter mais um filho?
O que é mais "religioso" entre usar uma parte substancial de meu salário para educar crianças pobres ou ter mais um filho?
O que provocaria mais evolução? Eu decididamente ser uma pessoa boa, caridosa, atuante ou eu ter mais um filho?
Quais dessas decisões
são mais importantes?
Essa história de que
controlar a natalidade é "...atrasar a evolução dos espíritos..." não é
verdadeira, pois a evolução também se dá no mundo espiritual e, mais ainda a
Espiritualidade Superior é inteligente e previdente o bastante para providenciar outras
formas de encarnação (outros mundos), pois basta acompanhar a tendência histórica, que
mostra que quanto mais evoluída a sociedade, mais esta reduz a taxa de natalidade, sendo
que vários países da Europa têm hoje crescimento negativo de população (morre mais
gente do que nasce).
Além disso, estudos
científicos afirmam que se a população mundial aumentar em mais
Acho que deixei claro
que a questão do controle da natalidade é tratada, no plano espiritual, da mesma forma
que todos os demais itens de "melhoria pessoal", onde se vê se estamos
aplicando o melhor dos esforços ou estamos apenas "vendo a vida passar". Ter um
monte de filhos enquanto "se vê a vida passar" agrega alguma coisa à alguém?
Decisão pessoal, meu
amigo, inalienável. Direito nosso. Responsabilidade proporcional, como absolutamente tudo
na nossa vida. Caminhos que traçamos, caminhos que trilhamos.
Como disse o poeta
Renato Teixeira:
"...como um velho
boiadeiro,
eu vou tocando os dias
estrada eu
sou..."
"...cada um de
nós,
cada ser em si
carrega,
de ser
feliz...".
Sejamos felizes,
praticando o bem o amor e a caridade. Se couberem filhos nessa equação, felizes de nós.
Bom senso e
equilíbrio. Essa é a beleza da Doutrina Espírita.
"...pela longa
estrada eu vou, estrada eu sou...".
Fraterno abraço.
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Autor:
Carlos Augusto Petersen Parchen
c_a_parchen@yahoo.com.br
www.carlosparchen.net
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