titleartigos.gif (3843 bytes)

 

Matéria, Energia e Planos Material e Espiritual.

Algumas considerações.

 

Ultimamente, tem permeado no movimento espírita, listas de discussão sobre matéria e energia e sobre “a matéria no plano espiritual”. Sem pretender abranger todo o assunto e nem mesmo estabelecer opiniões sobre pontos específicos, apresentamos algumas considerações esparsas, como elemento de contribuição ao debate e a síntese pessoal dos leitores.

Dentre os ensinos basilares trazidos por Kardec, está o de que todo o Universo (conjunto de tudo o que existe, em todos os planos e dimensões), é constituído de dois princípios elementares: o princípio material e o princípio espiritual.

Tudo o que existe, que não seja Deus (Causa Primeira de todas as coisas) ou princípio inteligente, é constituído do princípio material. E isso inclui todas as formas de matéria e de energia.

Podemos afirmar, categoricamente, que matéria e energia são constituídos do mesmo princípio, apenas em estado de organização diferente, o que pode ser exemplificado (por analogia poética)   pelo diamante, pelo carvão e pelo grafite, que são o mesmo elemento químico (carbono puro), em diferentes estados de organização cristalina.

No entanto, Kardec nos alertou de que a matéria só existe porque o princípio inteligente a organiza. Sem o princípio inteligente, existe apenas princípio material. Nesse caso, Kardec referia-se aos elementos não energéticos da natureza. Os elementos energéticos (vibrações e energias) são decorrentes  da atividade intrínseca da matéria organizada (luz, calor, gravidade, ondas eletromagnéticas, força nuclear fraca, força nuclear forte, etc.) ou derivadas da atividade mental/pensamento. O princípio material a tudo permeia, e se espalha pelo Universo; possui uma característica toda própria, ainda não identificada pela ciência. De maneira geral, nas obras da Codificação, Kardec também se refere a esse princípio como “energia”.

Emmanuel, na obra “Emmanuel” coloca que: “... A matéria não organiza, é organizada. E não representa senão uma modalidade da energia esparsa no Universo. Os seus elementos não fazem outra coisa senão submeter-se às injunções do Espírito (grifo nosso); e é a soberana influência deste último que elucida todos os problemas intrincados dos seres e dos destinos...”.

É necessário reparar que tanto Kardec quanto Emmanuel não fazem distinção entre “Plano Material” e “Plano espiritual”, e fica muito claro em Kardec que não há essa diferença, pois tudo faz parte do Universo, que é contínuo, não segregado. A natureza é natureza, a criação é criação e a criatura é criatura, tanto no “plano material” como no “plano espiritual”.

Vale aqui de novo a analogia com o diamante e o carvão, ou seja, são apenas diferentes organizações de um mesmo elemento. Tudo tem existência real no Universo, seja na “vibração material” quanto na “vibração espiritual”. Não há porque divagar sobre a materialidade do “plano espiritual”, pois este é tão real quanto o plano tridimensional que momentaneamente habitamos. O próprio Kardec colocava que a “nossa matéria” era apenas uma projeção ou imagem do “plano espiritual”, a “...pátria verdadeira de todos os espíritos...”

Segundo André Luiz, em “Mecanismos da Mediunidade”, “... mais da metade do Universo foi reconhecido como um reino de oscilações, restando a parte constituída de matéria igualmente suscetível de converter-se em ondas de energia (oscilações)...”. “... O Homem passou a compreender, enfim, que a matéria é simples vestimenta das forças que o servem nas múltiplas faixas da Natureza...”. 

Ainda segundo Emmanuel, na obra “Emmanuel”, “... é lícito considerar-se espírito e matéria como estados diversos de uma essência imutável, chegando-se dessa forma a estabelecer a unidade substancial do Universo. Dentro, porém, desse monismo físico-psíquico, perfeitamente conciliável com a doutrina dualista, faz-se preciso considerar: a matéria como o estado negativo  e o espírito como o estado positivo dessa substância (grifo nosso). O ponto de integração dos dois elementos estreitamente unidos em todos os planos do nosso relativo conhecimento, ainda não o encontramos...”. Em outro ponto da mesma obra, afirma: “...A ciência terrena, no estudo das vibrações, chegará a conceber a unidade de todas as forças físicas e psíquicas do Universo...”.

Assim sendo, tentar discutir matéria, energia, plano espiritual e plano material como “entes separados”  e com “comportamentos diferenciados” é engano e pura digressão inútil. Tudo é real, tudo segue uma única lei. Disse Kardec, em “A Gênese”: “...vimos que uma única lei, primordial e geral, foi outorgada ao Universo (grifo nosso), para lhe assegurar eternamente a estabilidade, e que essa lei geral nos é perceptível aos sentidos por muitas ações particulares que nomeamos forças diretrizes da Natureza.  Vamos agora mostrar que a harmonia do mundo inteiro, considerada sob o duplo aspecto da eternidade e do espaço, é garantida por essa lei suprema...”.

Além disso, é preciso considerar que o Espírito será sempre material, pois não existe espírito sem perispírito. O que não é material é o princípio inteligente, que dá origem ao espírito. Quando este (o espírito) é individualizado, delimitado e circunscrito pelo perispírito, passa a ser um dos polos da matéria. Kardec não deixa dúvida de que mesmo o espírito mais evoluído possui perispírito. Continua sendo um ser da natureza, no plano único que nos une, na injunção dos pensamentos. Quando falamos mundo material e mundo espiritual, estamos falando apenas de organizações diferentes de um mesmo princípio. Não são realidades separadas, apenas vibrações diferentes.

Podemos concluir, sem sombra de duvida, que todos os planos seguem  uma mesma Lei e apresentam similitudes em toda a obra da Criação. E que matéria e energia são apenas manifestações do princípio material, dialético ao princípio espiritual, em cuja síntese, realizada pelo AMOR DIVINO surge o UNIVERSO, único, harmônico e perfeito, manifestado em diversos planos e estágios de evolução.

Mais simples do que pensamos. Perfeito. Obra suprema do Supremo Ser.

 

Carlos Augusto Parchen
Curitiba, Paraná
abril de 2007

www.carlosparchen.net
c_a_parchen@yahoo.com.br

Voltar