
Livre Pensamento
O cerceamento, ou simples tentativa de, da liberdade individual
de pensamento, crença, ideologia, comportamento e outras opções ,
excetuados os casos de infrações legais ou desrespeito à lei, sempre foi motivo de
muitas aflições. É causador de conflitos, guerras entre países, rompimento ou perda de
espontaneidade de relacionamentos, entre outros prejuízos.
Os exemplos não faltam, nos registros da história e mesmo no cotidiano da atualidade.
Basta observar os efeitos nocivos dos conflitos internacionais e mesmo as dificuldades
próprias de cada país, entre os casos de violência, corrupção, preconceitos e
discriminações em geral.
Não há necessidade de alongar o assunto. Priorizemos destacar a excelência da Doutrina
Espírita ao abordar o assunto. Breve pesquisa
Por sua vez, o Codificador Allan Kardec, ao comentar duas publicações francesas, trouxe
notável editorial
(...)
Toda opinião raciocinada, que nem é imposta, nem encadeada cegamente à de outrem, mas
que é voluntariamente adotada em virtude do exercício do raciocínio pessoal, é um
pensamento livre, quer seja religioso, quer político, ou filosófico. Em sua concepção
mais larga, o livre pensamento significa: livre exame, liberdade de consciência, fé
raciocinada; simboliza a emancipação intelectual, a independência moral, complemento da
independência física; não quer mais escravos do pensamento, quanto não os quer do
corpo, porque o que caracteriza o livre pensador é que pensa por si mesmo, e não pelos
outros; em outros termos, sua opinião lhe é própria. Assim, pode haver livres
pensadores em todas as opiniões e em todas as crenças. Neste sentido, o livre pensamento
eleva a dignidade do homem; ele dela faz um ser ativo, inteligente, em vez de uma máquina
de crer. (...)
Em outro trecho, comentando sobre o paradoxo da imposição de crenças, hábitos,
costumes ou ideologias: (...) Vosso
espírito só é livre com a condição de não crer no que quer, o que significa para o
indivíduo: Tu és o mais livre de todos os homens, com a condição de não ir mais longe
do que a ponta da corda a que te amarramos (...)
Ora, basta destacar do parágrafo anterior: livre pensador é que pensa por si mesmo, e
não pelos outros. Sim, óbvio. Todos temos a capacidade de raciocinar e esta
possibilidade individual é aptidão do indivíduo, sem ser cerceado por vontade alheia.
Aliás, vale dizer que toda imposição, ou tentativa de, constitui desrespeito, ausência
de caridade e causa dos conflitos que minam as relações humanas. Exceto, é claro
e repetimos , por força de lei.
*Publicação
fundada por Allan Kardec, em 1858, e por ele dirigida até sua desencarnação, em 1869;
continua sendo editada, e atualmente em diversos idiomas, pelo Conselho Espírita
Internacional.
Nota:
Os exemplares da Revista Espírita, da época de Kardec, também estão disponíveis em
língua portuguesa, em edições do IDE-Araras, EDICEL-São Paulo e mais recentemente da
FEB-Rio-RJ.
Matéria
publicada originariamente no jornal O CLARIM, edição de janeiro de 2006.
Orson Peter
Carrara
orsonpeter@yahoo.com.br
- www.orsonpcarrara.rg3.net