O Jesus Histórico e o Mítico

 

"Um mito é uma história contada, mas não é literalmente verdadeira" (John Hick, teólogo protestante).

Diz-se que o mito é símbolo e linguagem dos deuses. Para Platão, mito é mentira e logos é verdade (Brunel).

Mas o mito tem o seu valor. Pelé é o maior jogador de futebol do mundo, o que dito miticamente é mais elegante: Pelé foi o deus do futebol mundial.

O Jesus histórico é um homem, mas mítica e dogmaticamente falando, Jesus é "Deus encarnado" e "Filho de Deus".

Na Antigüidade, as pessoas notáveis ganhavam o título de "filho de Deus". Platão e Apolônio de Tiana foram também assim cognominados.

E com Jesus não foi diferente, mas com cuidado por parte dos judeus, pois o monoteísmo deles era rigoroso. Para fazer esta matéria, valho-me da obra "Mitos Cristãos - Desafio para o Diálogo Religioso", Ed. Panorama Espírita, Divinópolis, MG, de José Pinheiro de Souza, filósofo, teólogo, professor de letras da UF e da UE do Ceará, e Ph.D em Lingüística pela Universidade de Illinois (USA).

E eis alguns mitos religiosos anteriores ao cristianismo: Os deuses Krishna, Hórus e Mitra nasceram "miraculosamente"; Devanaki, mãe de Buda, foi saudada por um eremita, como Maria o foi por santa Isabel; Hórus e Mitra vêm ao mundo em 25 de dezembro; no nascimento de Krishna e Buda, houve chacinas de crianças; Buda foi também tentado no deserto pelo diabo e alimentou 5.000 homens com alguns pães; Krishna foi também transfigurado e teve três discípulos preferidos, foi crucificado e subiu aos céus; Mitra era Filho de Deus e Luz do Mundo, seu sepulcro era de pedra e ele ressuscitou no terceiro dia; Deméter é mãe de Deus; Dionísio, pela etimologia "dio-niso" (da língua trácio-frígia), significa "filho de deus"; Nas pregações, Buda usou das mesmas palavras de Jesus ; Krishna, Buda e Mitra tiveram 12 discípulos, faziam "milagres" e ressuscitaram; Hórus e Mitra eram Messias, Redentores e Filhos de Deus; Krishna era a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade; os deuses Tamuz, Adônis, Attis e Osíris ressuscitaram.

Respeitemos o cristianismo dogmático do Jesus mítico, mas adotemos o verdadeiro, ou seja, o do Jesus histórico!

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Autor:

José Reis Chaves

escritorchaves@ig.com.br

*publicado com autorização do autor

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