
Em minha opinião, o
religiosismo e o "evangelismo" acabará por destruir o Espiritismo, pois
se está abandonado a "...filosofia com base científica e conseqüências
éticas e morais..." preconizada no Livro dos Espíritos, para um evangelismo
exacerbado, transformando muitas Casas Espíritas em "igrejas", onde o ouvir
palestras e tomar passes passam a ter status de rito religioso.
Nessas Casas, não se
aprofunda e se discute mais a Filosofia Espírita de Vida, e não se discute como
transforma-la em aprendizado, em habilidade, em aptidão.
Passamos a ter
"estrelas" que ministram palestras, mais preocupados com a própria imagem, com
o falar empolado, com técnicas avançadas de oratória, mas incapazes de serem
animadores e promotores das mudanças pessoais e sociais.
Kardec nunca deu um
aspecto religioso ao Espiritismo. Mostrem-me isso nas obras básicas! Isso não existe.
Não podemos abrir mão
da Doutrina Espírita em nome de uma "religião espírita", acreditando que isso
se "...corrige mais tarde...". Um edifício mal construído acabará desabando.
Um alicerce mal feito não suporta uma obra de grande porte.
Kardec estabeleceu um
tripé didático para a Doutrina Espírita: Filosofia, Ciência e Ética/Moral (e
não religião).
A Ética e a Moral
adotadas são a do Cristo, brilhantemente descrita no Evangelho Segundo o Espiritismo.
Mas é ética e moral, aplicada em uma filosofia de vida, embasada em conhecimento
científico.
O aspecto religioso do
espiritismo, tal como concebido por Kardec, é íntimo, pessoal e individual. Não
precisamos transformar as Casas Espíritas em "igrejas espíritas", pois isso
nada acrescenta, só atrapalha.
Em
"evangelismo", temos que reconhecer que existem algumas religiões muito
eficientes nisso. Se vamos seguir por esse caminho, vamos aprender com elas.
Mas essa não será a
minha opção. Não abrirei mão da pureza doutrinária estruturada por Kardec.
Assusta-me uma
colocação como essa: "...precisamos é de evangelho...". Isso é quase um
discurso do neo-evangelismo, das "modernas igrejas evangélicas".
Não é isso que
precisamos. Precisamos de amor em ação, de caridade em ação, de ética em ação, de
pensamento construtivo em ação, de efetivamente nos tornarmos criadores de uma nova
realidade.
Precisamos é de
Filosofia Espírita, de Moral Espírita, de Ética Espírita, e isso já está contido no Livro
dos Espíritos, a principal obra do Espiritismo (e poderia até ser a única).
Precisamos transformar
as Casas Espíritas em oficinas de aprendizado, em "fábricas" de
habilidades e aptidões éticas e morais, em não em púlpitos de discursos e pregações,
esteticamente lindas, belas, mas inócuas por não estimularem a evolução
individual.
Cristo como modelo.
Claro que sim. Somos todos admiradores desse ser. Mas procuremos conhecer o Cristo
Histórico, O Cristo Humano, o Cristo Revolucionário, o Cristo que não tinha uma
religião, que não fundou uma religião, que não se entregou as religiões, que VIVEU
sua pregação, que tentava transformar ensinamento
Esta é uma opinião
pessoal, mas mais que isto, é uma crença pessoal, uma diretriz de minha conduta dentro
da Doutrina Espírita. Compreendo e respeito quem pensa diferente. Reconheço-lhes esse
direito. Mas lutarei tenazmente pelo Espiritismo Filosófico, Científico, Ético e
Moral. E para evitar que nos transformemos em Igreja.
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Autor: Carlos
Augusto P. Parchen
www.carlosparchen.net
c_a_parchen@yahoo.com.br
julho de 2006