OS ELEMENTAIS

(artigo inicial e comentários)

 

CONTO DE FADAS

O que seriam os elementais, segundo a cultura popular?

Começando pelo dicionário Aurélio, descobrimos que a palavra "elementais" não foi listada. Mas encontramos outras:

- deva: nas religiões do oriente, cada uma das diversas divindades masculinas que sesituam entre os seres divinos superiores e os homens. P. Ex.: no Zoroastrismo, osdeuses atmosféricos; no bramanismo, deuses benéficos e imortais a quem se oferecem sacrifícios.

- duende: entidade fantástica ou espírito sobrenatural que se acreditava aparecer de noite nas casas, fazendo travessuras;

- fada: 1. entidade fantástica, a quem se atribuía poder sobrenatural e influencia no destino dos homens. 2. Dedos, Auspicio, augúrio, agouro. 3. mulher de extraordinário encanto e beleza;

- elemental: Ver elementar;

- elementar: 1. Relativo ou pertencente a elemento(s). 2. De composição ou funcionamento simples; primário, rudimentar; mecanismo elementar; idéias elementares. 3. Referente as primeiras noções de uma arte ou ciência. 4. Simples, fácil, claro. 5. Que esta na base, essência, origem; essencial, fundamental, básico; ... - gnomo - designação comum a certos espíritos, feios e de baixa estatura, que, segundo os cabalistas, habitam o interior da Terra e tem sob sua guarda minas e tesouros; "E esse pequeno ser que se assemelha as divindades pastorais, aos gnomos teosóficos cujo mister e guardar e amar a arvore ou a roseira que lhes coube, obrigava os sentidos de André e uma alta harmonia entre si". (Barreto Filho, Sob o Olhar Malicioso dos Trópicos, p. 7).

Passando agora ao Esoterismo, no Glossário Esotérico, de Trigueirinho: "elementais - forcas da substancia-vida dos planos de existência do universo; são ativadas por uma consciência de poder criativo quando tem uma tarefa a realizar. Adquirem então a forma de seres e trabalham em intima colaboração com o reino dévico. Esses seres elementais são gerados dos elementos da natureza: a terra, a água, o fogo, o ar e o éter, mas quanto mais próximos dos mundos abstratos, de modo mais límpido refletem o que lhes e imanente.

 Podem ser citados como exemplo de seres elementais os gnomos (elementais da terra), as sílfides (elementais do ar, as salamandras (elementais do fogo), entre outros, que desempenham papéis específicos no equilíbrio da vida da matéria em si. Em geral estes entes são desfeitos ao concluírem sua tarefa, mas alguns subsistem ate que, por não estarem vivificados pelo impulso que os criou se "dissolvam" em sua substância de origem.

Ha seres elementais constituídos artificialmente pelo homem (encarnado ou não), ou por outras entidades autoconscientes, por meio da forca do pensamento ou do desejo." ... "Como os seres elementais são corporificações da substancia dos mundos das formas, estão sujeitos a impulsos involutivos, devido as forcas caóticas profundamente infiltradas nos planos materiais na presente fase da Terra. Sua participação nos trabalhos de magia engendrados pelos pelo homem evidencia esse fato. ... "

Com estes pequenos trechos acima, fica colocado aqui o que a cultura popular define como "elementais". A descrição Esotérica foi resumida, porém é possível ver que não encontra suporte no Espiritismo.

Segundo a Doutrina Espírita, espíritos não se dissolvem. Da mesma forma, o pensamento não pode construir outros espíritos. A referencia a magia também serve para acentuar as diferenças.

Na obra Espírita codificada por Allan Kardec não ha referência a "elementais". No entanto Kardec faz referência a espíritos elementares, simples, rudimentares.

Estes espíritos se encontram, na escala evolutiva, em etapa anterior a hominal. Assim, ainda não encarnaram. São, por assim dizer, dirigidos por outros espíritos que já adquiriram, através de diversas encarnações, experiência suficiente para colaborar com a natureza.

Na Revista Espírita Kardec usou a palavra "duende" para os espíritos perturbadores em duas oportunidades, no volume de 1859. A primeira foi quando ele se referiu ao duende de Bayonne, que apareceu para sua irmã e que fazia travessuras. A segunda foi ao descrever a experiência do Sr. J. com alguns espíritos perturbadores em sua residência. Mas em ambas as oportunidades Kardec os descreveu como espíritos perturbadores, sem, no entanto, lhes conferir as propriedades que a crendice popular da aos duendes.

Com o estudo da Doutrina Espírita pode-se entender que, para um médium vidente, e possível ver um determinado espírito com a forma com que este se apresenta. O espírito pode modificar a aparência de seu perispírito se condensando, alterando sua fisionomia e se apresentar como deseja ser reconhecido. Mas existe outra possibilidade para explicar a aparência dos espíritos. Aquele que se encontra perturbado, imerso em seus erros, sofrendo, pode assumir uma aparência bastante diversa da que tinha enquanto encarnado.

A perturbação pode atingir um estágio tão avançado que sua aparência se torna monstruosa.

A Doutrina Espírita prima pela simplicidade. Mas nós, aprendizes repetentes da escola da vida, não desistimos de complicar, de criar mais nomes e definições, de entrar pela porta ampla do misticismo.

No entanto, a explicação Espírita está nos livros. Nós é que não queremos entender. Daqui a pouco vamos reescrever o Espiritismo como um belo conto de fadas.

Autor: Jose Cid

Referências:

Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, Ed. Nova Fronteira

Glossário Esotérico, Trigueirinho, Ed. Pensamento

Revista Espírita, Allan Kardec, Tradução de Julio Abreu Filho,

EDICEL, volumes de 1858, 1859, 1860.

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C O M E N T Á R I O S

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DO MARCOS, SOBRE ELEMENTAIS

Caro Jose Cid

Li sua resposta a pergunta do Marcelo sobre os elementais, e gostaria de acrescentar alguma coisa...

Outro dia fazia uma exposição na casa espírita em que trabalho, numa favela no Rio de Janeiro, e alguém da assistência perguntou se existem demônios. Respondi que sim (depois me arrependi, quando vi o espanto da dirigente da reunião). Expliquei que eles existem, porque são seres incorpóreos, dedicados a prejudicar as criaturas. A única e fundamental diferença da concepção espírita é que eles são filhos de Deus, irmãos nossos, e, principalmente, não estão destinados a permanecer nessa condição para sempre. Um dia, por mais que tarde, se colocarão no caminho do bem. Chamá-los de demônios é apenas inadequado, mas aquilo que se convencionou chamar assim (como os que Jesus expulsou do rapaz geraseno) nada mais são que espíritos obsessores. Demônio vem do grego "daimon", que se referia a seres incorpóreos, não necessariamente maus.

Quanto aos elementais, creio que possa existir confusão semelhante. Que existem espíritos zombeteiros e mistificadores, todos sabemos. Mas me lembro daqueles espíritos a que se refere André Luiz em algumas obras, chamados de trabalhadores do reino vegetal, e outros nomes similares. A nomenclatura espírita e' mais exata e clara, mas na imaginação dos povos de todos os tempos, que sempre estiveram em contato mais ou menos místico com a mediunidade, esses espíritos poderiam ser chamados de elementais, gnomos, duendes, etc., e o enriquecimento da fabula fica por conta da imaginação popular, como no caso dos demônios.

É só uma hipótese, bem entendido.

Abraços,

Marcos de Mendonça Passini

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DO IVAN FRANZOLIM, SOBRE ELEMENTAIS

Caro Jose Cid

Li seu comentário sobre o assunto e gostaria de acrescentar mais algumas informações. O Espiritismo e tão abrangente (felizmente) que sempre alguém terá algo para acrescentar.

Na Parte 2a, Capitulo IX de O Livro dos Espíritos, questões 536 a 540, Kardec faz perguntas sobre a ação dos espíritos nos fenômenos da natureza.

Compreendemos então que existem "princípios inteligentes" que auxiliam no controle dos fenômenos da natureza, sob a supervisão de espíritos mais elevados.

Na escala da evolução eles estariam entre a fase animal e a hominal. Muitos esotéricos acreditam que essas entidades são superiores ao homem. Crença essa contraria ao conhecimento espírita. Pena que temos tão poucas referencias sobre esse assunto. Quem sabe alguém mais encaminha sua contribuição.

Um grande abraço,

Ivan Franzolim.

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DO VLADIMIR, SOBRE ELEMENTAIS

Amigos do GEAE,

No Boletim 197, o co-idealista Jose Cid, respondendo a uma pergunta do Marcelo sobre os elementais, afirmou que eles não passam de uma crendice popular e um modismo.

Permito-me discordar do inteligente confrade.

Ha muito me tenho preocupado com a questão dos elementais: fantasia ou realidade?

Estudo a Confortadora Doutrina desde 1989, mas só recentemente pude obter subsídios para espantar a duvida que me incomodava.

Meu interesse, no particular, acentuou-se quando me casei. Minha esposa e médium de psicofonia e vidência. Ao relatar-me os fatos de sua infância, ela se referiu a um pequeno ser que vira no jardim de sua casa, em meio as flores. A descrição que me foi dada corresponde aquilo que comumente se conhece por "duende".

Mas não foi esse simples relato que me convenceu da existência dos elementais.

A reportagem de capa da "Revista Espírita Allan Kardec", ano V, n. 17, de agosto de 1992, editada em Goiânia, Estado de Goiás, Brasil, foi exatamente sobre "Os elementais, fadas, gnomos... Realidade ou ficção?". O artigo incluía uma entrevista com Divaldo Franco. Os dados e informações que seguem devem ser creditados a Revista e ao autor do artigo. Em apertada síntese, diz-se que o motivo principal deste interesse no assunto deve-se a onda ecológica que se espalha pela Terra. Afirma-se também:

- que ha Espíritos em todas as escalas evolutivas a nossa volta;

- que alguns desses seres, por sua ligação com a Natureza, são chamados elementais;

- que eles são conhecidos por gnomos, fadas, duendes, silfos, nereidas, sereias, naiades, elfos, sátiros;

- que os folclores de todos os povos fazem referencia a esses seres (inclusive o brasileiro, dai as lendas sobre o curupira, a caapora, a iara, etc.);

- que em todas as lendas e contos que correm o mundo os elementais são apresentados como seres de forma semelhante a humana;

- que tais serem são meros executores de ordens e trabalham na condução dos fenômenos da Natureza;

- que essas ordens emanam de seres superiores;

- que existem comunidades humanas em regiões inóspitas da Terra (p. ex. Findhorn, no norte da Escócia) que se estabeleceram e conseguiram transformar a natureza agreste  com o auxilio dos elementais;

- que os elementais tem poderes de manipular os fluidos do reino vegetal e animal, porque estão evolutivamente muito próximos destes;

- que, por estarem em sintonia vibratória mais próxima da natureza, os elementais são utilizados por Espíritos Superiores para coordenar seus fenômenos;

- que eles estão sujeitos as leis evolutivas, inclusive a reencarnação;

- que os elementais realmente protegem a Natureza e inspiram os homens a também a fazê-lo.

Na Revista Espírita de 1859, o espírito Erasto, ao responder uma pergunta de Kardec sobre o tema, explica que ha espíritos encarregados por Deus de lidar com as forcas da Natureza. Em edição da mesma revista no ano de 1869, consta uma mensagem psicografada pela Sra. Boyer, de autoria de "Hettani", que se identificou como "um dos Espíritos que presidem a formação das flores". Hettani diz que são milhares os elementais de sua categoria e que eles também estão sujeitos a Lei de Evolução.

Após a publicação dessa mensagem, Kardec inquiriu os Espíritos. Transcrevo parte da resposta de São Luis: "O Espírito não preside, de maneira particular, a formação das flores. O Espírito elementar, antes de passar a serie animal, dirige sua ação fluídica para a criação vegetal. Este ainda não encarnou; não age senão sob a direção de inteligências mais elevadas, que já viveram o bastante para adquirir a ciência necessária a sua missão. Foi um desses que se comunicou. Ele vos fez uma mistura poética da ação de duas classes de Espíritos, que atuam na criação vegetal".

As perguntas 536 a 540 do Livro dos Espíritos auxiliam no esclarecimento da questão ("Ação dos Espíritos sobre os fenômenos da Natureza").

No livro "Iniciação, Viagem Astral", do espírito Lancellin, psicografado por João Nunes Maia, li: "Tornei a observar, no silencio que nos emprestava meios de melhor analise, e vi seres pequeninos, como se fosse chuva, dando-me a impressão de que saiam do interior das arvores em questão. Pulavam em cima de Kahena, brincando (...)".

Na entrevista que concedeu, Divaldo Franco AFIRMOU QUE OS ELEMENTAIS EXISTEM. O grande orador espírita esclareceu que ha, de fato, uma submissão hierárquica dos elementais a uma ordem superior de Espíritos, que os comandam e orientam. Alguns deles, diz Divaldo, "apresentam-se, não raro, com formas especiais, de pequena dimensão, o que deu origem aos diversos nomes nas sociedades mitológicas do passado. Acreditamos, pessoalmente, por experiências mediúnicas, que alguns vivem o período intermediário entre as formas primitivas e hominais, preparando-se para futuras reencarnações humanas".

Divaldo acrescenta que os elementais desempenham inumeráveis tarefas (chuvas, tempestades, terremotos, etc.) e interferem nos fenômenos "normais" da Natureza sob a direção dos "Engenheiros Siderais" (Pergunta 536-b de O Livro dos Espíritos).

Como se vê, amigos, a questão e intrincada. Não podemos dizer, portanto, que oselementais não existem. A experiência, a tradição e a própria Doutrina Espírita acolhem tais seres como realidade, e não como mera ficção.

Saudações Cristas,

Vladimir

Bahia, Brasil.

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Oi Vladimir.

A Revista Espírita em que foi publicada a mensagem a que você se refere foi o número 3, de marco de 1860 (você se enganou no ano e no nome do espírito comunicante). A mensagem psicografada pela Sra. Boyer recebeu o titulo de "O gênio das flores". Como você pode ver, não se falou em duendes nessa mensagem. Logo em seguida vem uma serie de perguntas que Kardec fez a S. Luiz. A médium foi o Sr. Roze. Vou transcrever estas perguntas e as respostas:

1 - (A S. Luiz): - Outro dia tivemos uma comunicação espontânea de um Espírito, que disse presidir as flores e seus perfumes. Há realmente Espíritos que podem ser olhados como gênios das flores?

(Resposta) - Esta expressão e poética e bem aplicada ao assunto. Mas, a bem dizer, seria defeituosa. Não deveis duvidar de que o Espírito, por toda criação, preside ao trabalho que Deus lhe confia. Assim deve ser entendida essa comunicação.

2 - Esse Espírito chama-se Hettani. Como tem um nome, se jamais encarnou? (Resposta) - É uma ficção. O Espírito não preside, de maneira particular, a formação das flores. O Espírito elementar, antes de passar a serie animal, dirige a sua ação fluídica a criação vegetal. Este ainda não encarnou; não age senão sob a direção de inteligências mais elevadas, que já viveram o bastante para adquirir a ciência necessária a sua missão. Foi um desses que se comunicou. Ele vos fez uma mistura poética da ação de duas classes de Espíritos, que atuam na criação vegetal.

3 - Não tendo ainda vivido esse Espírito, mesmo na vida animal, como e tão poético?

(Resposta) - Relede.

4 - Assim, o Espírito que se comunicou não e o que habita e anima a flor? (Resposta) - Não, não. Eu vo-lo disse claramente: ele guia.

5 - Esse Espírito que nos falou esteve encarnado? (Resposta) - Esteve.

6 - O Espírito que da vida as plantas e as flores, tem o pensamento e a inteligência de seu Eu?

(Resposta) - Nenhum pensamento, nenhum instinto.

A terceira pergunta mostra que Kardec, inicialmente, não entendeu as palavras de S. Luiz. O Espírito que se comunicou como o gênio das flores na realidade já havia encarnado antes e, na realidade, dirigia espíritos elementares (elementares, de simples, primário, rudimentar – eu não me referi a "elementais", que, continuo afirmando, são crendice popular). Eu não posso comentar o artigo na Revista Espírita Allan Kardec que você cita porque eu não o li nem tenho acesso a esta revista. Mas me surpreende uma revista Espírita falar que "elementais" existem, porque este termo vem do Esoterismo. No Espiritismo existem outros termos que definem mais precisamente os chamados "elementais" e, portanto, não geram confusão. No artigo acima eu transcrevi a definição de "elementais" para que se possa perceber o quão distante este termo esta do Espiritismo.

O livro psicografado por João Nunes Maia confirma o que disse anteriormente. O fato de um vidente (ou espírito, tanto faz) ver um duende não significa que eles existem. O espírito tem condições de plasmar em seu perispírito a forma que acha mais interessante aos seus propósitos. Veja a carta do Marcos.

O mesmo vale para o que Divaldo afirmou. Muitas vezes nos esquecemos que Divaldo, antes de ser o grande orador e médium vidente 24 horas por dia. Certa vez ele afirmou que não dirigia porque não teria como distinguir se aquela pessoa que ele via na frente do carro estava encarnada ou não e não sabia se podia acelerar ou teria que frear... Portanto, o que Divaldo disse não me surpreende e eu acredito que ele já tenha visto um duende, por exemplo. Mas isso não quer dizer que eles existam e tenham as propriedades que a crença popular lhes confere.

O Espiritismo tem em seu vocabulário termos adequados para designar precisamente estes trabalhadores. Não ha motivo para adotarmos termos distorcidos pelas crenças mitológicas.

Espírito elementar é diferente de "elementais".

Um grande abraço,

Jose Cid.

 

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BOLETIM GRUPO DE ESTUDOS AVANÇADOS ESPÍRITAS

 09 (205) 96 10 Setembro 96

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Editado por: Sergio Freitas, Raul Franzolim, Jose Cid e

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