
Controles Bem Seguros
Sabemos todos, pelo estudo da Escala Espírita,
apresentada por Kardec
Na Revista Espírita, de julho de 1859, no Pronunciamento do Encerramento do ano social 1858-1859, feito por Kardec na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, dentre os vários assuntos focados, destacamos trecho de máxima importância para nossas reflexões: (...) saibam, pois, que tomamos toda opinião manifestada por um Espírito por uma opinião individual; que não a aceitamos senão depois de tê-la submetido ao controle da lógica e dos meios de investigação que a própria ciência espírita nos fornece, meios que todos vós conheceis. (...).
Observemos a curiosa observação de Kardec: controle da lógica e dos meios de investigação que a própria ciência espírita nos fornece. A lógica sugere e solicita que tudo que venhamos receber dos espíritos, por via mediúnica, seja submetido à avaliação do raciocínio, do bom senso. Se fugir disso, que seja rejeitado.
Como orienta Erasto: (...) Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos velhos provérbios. Não admitais, portanto, senão o que seja, aos vossos olhos, de manifesta evidência. Desde que uma opinião nova venha a ser expendida, por pouco que vos pareça duvidosa, fazei-a passar pelo crisol da razão e da lógica e rejeitai desassombradamente o que a razão e o bom-senso reprovarem. Melhor é repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea. (...) (capítulo XX, item 230 de O Livro dos Médiuns).
Sob o ponto de vista da investigação, eis aí um critério que qualquer estudioso espírita pode efetuar com tranqüilidade: basta observar atentamente o que ocorre à nossa volta ou venha dos espíritos. A investigação, sugerida pela Ciência Espírita, é exatamente submeter todos os fenômenos e ocorrências mediúnicas (e até mesmo anímicas, acrescentamos) ao critério dos fundamentos e princípios apresentados pelo Espiritismo. Estão coerentes? Ferem os fundamentos doutrinários? Sem esquecer que, simultaneamente, podemos também efetuar pesquisa, através de anotações, acompanhamentos e métodos de experimentação.
São, pois, controles bem seguros: controle da lógica e investigação dos fatos. Estes são a comprovação daquilo que se pesquisa ou se busca. A lógica, por sua vez, coloca frente a frente o fato com a referência que o raciocínio oferece, sempre como fruto da observação, da experiência e da própria história e fundamentação dos reais fenômenos das manifestações dos espíritos.
Apoiados nestes dois critérios, não há o que temer, desde que nos desarmemos da negação simplesmente por negação, das implicâncias e preferências de ordem pessoal e nos coloquemos no neutro terreno de quem quer conhecer e aprender, descobrir e investigar pelo prazer de aprimorar o conhecimento.
A propósito da publicação desta abordagem na
edição comemorativa do centenário deste mensário, é oportuno recordar que Cairbar
Schutel seu fundador , publicou o livro Médiuns e Mediunidades, justamente
estudando a questão mediúnica e com embasamento
Na Exposição Preliminar, Cairbar declara: (...) em vez de ser uma explanação, com larga dissertação de O Livro dos Médiuns, esta obra é dele um resumo. (...) O Espiritismo, exposto aos leitores em síntese, tal como o fazemos, proporciona duas vantagens bem nítidas: primeira, a de dar àqueles que nos lêem a expressão nítida, clara, racional da sua doutrina, que abrange as esferas religiosa, filosófica e científica; segunda, a de guiá-los a mais altos empreendimentos, infundindo-lhes nas almas o desejo de aprofundar a Revelação nova, que veio iniciar uma nova era no progresso dos povos. Tal é nosso intuito ao lançar à publicidade este livrinho, em cujas páginas, estamos certos, os leitores encontrarão alguma coisa de proveito (...)
Matéria publicada originariamente no jornal O Clarim, edição de agosto de 2005.
Orson Peter
Carrara
orsonpeter@yahoo.com.br